Mulheres jogado futebol americano? Somos tão táticas e técnicas quanto os homens

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Maria Júlia, a Maju, joga futebol americano no Paulínia Mavericks (Crédito: Mürdock Fotografia)

Bianca Daga e Rafael Belattini

Muita gente acredita que o futebol americano é um esporte violento, bruto e perigoso. Porém, a modalidade tem crescido de forma impressionante entre os jovens, que começaram a se organizar em times e ligas pelo Brasil afora. O gosto pela bola oval, porém, não é exclusividade masculina e as jogadoras garantem: não devem nada para os homens.

Kamila Pellegrini, de 25 anos, e Maria Júlia Peinado, de 16, são dois exemplos de mulheres que não deram ouvidos para aqueles que alertavam sobre os perigos de se praticar um esporte com tanta ‘pegada’ e se aventuraram dentro de campo.

“Normalmente, quem fala que futebol americano não é um esporte para meninas é por que não acompanha muito”, garante Maria Júlia, jogadora do Paulínia Mavericks, equipe do interior de São Paulo.

Maju, como é conhecida na equipe, teve o incentivo do pai, que também joga futebol americano.

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Kamila Pellegrini é atleta do Diadema Diamond (Anaira Pereira)

Para Kamila, a Mika, do Diadema Diamond, as coisas foram um pouco mais complicadas. Depois de conhecer o esporte por meio de um primo, que tentou montar um time em Ribeirão Pires, a ideia de jogar veio pouco depois de passar por uma cirurgia bariátrica, o que preocupou toda a família.

“No começo, eu tinha só seis meses de cirurgia. As pessoas achavam que eu podia morrer. E um problema ajudou. No meu primeiro treino, estava muito sol. Voltei para casa, minha pressão caiu e fui parar no hospital. Tive insolação e desidratação. Mas na outra semana, já estava lá treinando de novo”, contou a atleta, que foi de 95 para 55 kg, em seu 1,53 metros.

As duas, hoje, praticam a modalidade ‘flag’, onde não há contato, mas contaram que anseiam por “tackles”, e já fazem planos para se transferirem para o “full pad”.

“Sempre quis jogar equipada. Em dois anos, vamos treinar flag, mas vamos para o equipado. Acho que 80% das meninas do meu time querem. Mas temos um pouco de receio, falta preparo. Como muitas não conhecem NFL começamos no flag, que é como uma escolinha para poder ir para o full pad”, conta Kamila.

Nos Mavericks, segundo Maju, a transição já começou. “Pra este ano, a gente estava com o planejamento de ir para o 7 por 7 e ir avançando até chegar no full pad. O que a gente mais quer é ir para o full pad”, explicou.

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Underdogs Football, equipe que Kamila já defendeu (Arquivo pessoal)

Apesar da vontade de ir para o jogo mais físico, as duas ressaltam que a essência do futebol americano não está na ‘pancada’, mas na técnica.

“Futebol americano o pessoal acha que é só pancadaria, que só tem gente se machucando. Mas a gente deixa claro que existe técnica para tudo. Técnica para dar o tackle, uma coisa toda por trás antes de ‘dar porrada’”, explicou Maria Júlia.

“As pessoas tem uma visão de que é um esporte bruto, de força. Mas tem toda a parte técnica”, disse Kamila. “A emoção que o futebol americano dá… você tem que pensar, é tudo muito rápido. Cabeça ligada com o corpo. Tem toda uma inteligência”, descreveu.

E se o futebol americano dos homens começa a conquistar algum destaque no Brasil, elas também acreditam que merecem ser mais bem observadas. Tanto Kamila quanto Maju acreditam que, descontada a questão física, o jogo delas não deve nada para o deles.

“Estudamos tanto quanto eles, a gente analisa vídeo. Somos tão táticas e técnicas quanto eles. Mesmo nível. Claro que temos limitações físicas, mas nada que a gente não possa lutar para conseguir. Se não podemos correr tanto como eles, vamos treinar na academia. Percebemos no camping do Cairo Santos (realizado em junho). Eu e mais quatro meninas fomos convocadas e treinamos junto com os homens. Tem um campo vasto da NFL para nós. Aos poucos, estamos quebrando a barreira de sermos sexo frágil”, afirmou Kamila.

“Acho sim, que está bem no mesmo nível. A gente tem as mesmas coisas que o time masculino tem. A mesma academia, todo o treinamento que os meninos têm, a gente tem. O nosso técnico é o mesmo da equipe masculina e tudo o que exige deles, exige da gente”, contou Maria Júlia.

As duas provam, definitivamente, que futebol americano não é ‘coisa de menino’. São versáteis e peças importantes em seus times. Maju joga há quase três anos, como quarterback e wide receiver. Kamila, além das duas posições, também faz, às vezes, a função de running back.

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Uma resposta a Mulheres jogado futebol americano? Somos tão táticas e técnicas quanto os homens

  1. Priscila Nery disse:

    Gostaria de comprar uma camiseta. Alguém pode me ajudar?
    Obrigada

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