Fenômeno Kyler Murray – Abriu mão de R$ 18 mi no beisebol, para fazer história no Draft da NFL

Top 10 no Draft da MLB em 2018, jovem de 21 anos opta por seguir carreira no futebol americano e é favorito para a primeira escolha na seleção de talentos da NFL, nesta quinta-feira.

Fenômeno raro – muito raro -, Kyler Murray vem escrevendo uma das trajetórias mais impressionantes dos esportes americanos nos últimos anos. Ser atleta de altíssimo rendimento em uma modalidade é algo para poucos. O que dizer de quem se destaca em diferentes esportes? No caso do jovem de 21 anos, o talento no beisebol e no futebol americano o colocou na mira de duas das maiores ligas dos Estados Unidos: MLB e NFL.

Com sucesso duplo na carreira universitária, Murray nunca escondeu a preferência por atuar como quarterback. Tanto que, selecionado no Top 10 do Draft de 2018 da MLB, decidiu devolver o bônus de US$ 4,7 milhões de dólares (cerca de R$ 18 milhões na cotação atual) que recebeu do Oakland A’s e entrou no Draft de 2019 da NFL, que começa nesta quinta-feira.

A decisão está longe de ser uma loucura, como muitos poderiam pensar. Kyler já havia deixado o beisebol em segundo plano no ano passado para jogar mais uma temporada no futebol americano universitário. Eleito o melhor da NCAA em 2018, agora é cotado para a primeira escolha na seleção de talentos da NFL – o que pode render contrato de mais de US$ 30 milhões (R$ 117 milhões).

O fato de ter apenas 1,78m de altura – considerado baixo para a posição de QB – torna Kyler Murray fenômeno ainda mais intrigante. Ele compensa a estatura com precisão e força nos passes, além de potentes corridas com a bola. Combinação que deve o transformar nesta quinta no menor quarterback já selecionado na primeira rodada do Draft da NFL em todos os tempos.

Neto de uma sul-coreana, Kyler Murray nasceu no Texas em agosto de 1997. Curiosamente, o pai viveu o mesmo dilema que ele quando jovem. Destaque no beisebol colegial, Kevin Murray foi selecionado pelo Milwaukee Brewers no Draft de 1982 e atuou por uma temporada como profissional em ligas menores até decidir se dedicar ao futebol americano universitário.

Quarterback em Texas A&M, Kevin Murray acabou não sendo selecionado por nenhuma equipe da NFL no Draft de 1987 e encerrou a carreira de atleta pouco depois. O irmão mais novo, Calvin Murray, teve trajetória profissional um pouco mais longa, no beisebol, atuando na MLB entre 1999 e 2004.

Nessa família de atletas, Kyler Murray cresceu praticando diferentes esportes e logo começou a se destacar rebatendo e lançando a bola oval, o que rendeu bolsa na universidade de Texas A&M, em 2015, para jogar tanto beisebol quanto futebol americano. Transferido para Oklahoma no ano seguinte, se tornou QB suplente e continuou fazendo sucesso na equipe de beisebol.

O fato de ter declarado desejo de se tornar profissional no futebol americano não impediu o Oakland A’s de o escolher na nona posição do Draft de 2018 da MLB. De maneira surpreendente, a franquia da Califórnia assinou o contrato de US$ 4,7 milhões com Kyler, mas não exigiu apresentação imediata e permitiu que ele ficasse mais uma temporada no futebol americano universitário.

Explosão como QB
Quando se transferiu de Texas A&M para Oklahoma, em 2016, Kyler Murray sabia que, pelas regras da NCAA, teria que ficar afastado por uma temporada do futebol americano. O plano era seguir jogando beisebol e voltar em 2017, como titular dos Sooners. A espera, porém, foi maior.

Também por questões de transferência, o então dono do posto, Baker Mayfield, ficou um ano a mais que o previsto em Oklahoma e deixou Murray como segunda opção em 2017. Baker foi incrível, levou o time às semifinais nacionais, estabeleceu o recorde da liga em jardas por tentativa e venceu o Troféu Heisman, dado ao melhor jogador da temporada da NCAA.

Quando Baker seguiu para a NFL como primeira escolha do Draft de 2018 pelo Cleveland Browns, o caminho finalmente se abriu para Kyler Murray. Mesmo com a opção de também se profissionalizar no beisebol, o garoto não abriu mão do sonho no futebol americano e optou por encarar a pressão de suceder o Mayfield como QB dos Sooners.

A decisão se mostrou acertada logo nas primeiras semanas da temporada. Sem sentir o peso, Kyler Murray explodiu como quarterback titular em Oklahoma. Não apenas levou o time novamente às semifinais nacionais, como quebrou o recorde de Baker em jardas por tentativa e também venceu o Troféu Heisman – segundo ano seguido para um jogador diferente da mesma universidade, o que não acontecia desde a década de 1940.

Combinando a precisão nos passes e a agilidade para correr com a bola, o “baixinho” Murray surpreendeu com uma das melhores temporadas já registradas por um QB na NCAA. Foram 4.361 jardas lançadas, 1.001 jardas corridas e 54 touchdowns – 42 aéreos e 12 terrestres.

Número 1 do Draft?
O desempenho brilhante em Oklahoma fez de Kyler Murray candidato natural a repetir o antecessor, Baker Mayfield, como primeira escolha no Draft da NFL. No entanto, ainda há alguns obstáculos.

A altura vem sendo um dos principais questionamento dos scouts da liga. Desde a fusão entre NFL e AFL, em 1970, jamais um QB de menos de 1,80m foi selecionado na primeira rodada do Draft. O temor é que o talento de Murray não seja o suficiente para compensar a desvantagem física entre os profissionais.

 

O sucesso recente de jogadores considerados baixos para a posição, como o Drew Brees (1,83m) e Russell Wilson (1,80m), pode ajudar a afastar a desconfiança. Outro ponto que aproxima Kyler Murray do posto de número 1 do Draft é o fato de que cairia como uma luva no sistema de ataque do Arizona Cardinals, dono da escolha e comandado pelo jovem treinador Kliff Kingsbury, fã do QB desde que trabalhava na NCAA.

Outra questão entre Kyler Murray e a primeira escolha do Draft atende pelo nome de Nick Bosa. Muitos analistas consideram o defensive end de Ohio State o principal talento disponível na classe de 2019 e forte candidato a superar o QB na preferência dos Cardinals, que já selecionaram um promissor quarterback no Top 10 do ano passado (Josh Rosen).

Sonho da carreira dupla
No momento, o foco de Kyler Murray está totalmente voltado para o futebol americano. O que não significa que ele tenha esquecido o beisebol. O jovem texano já afirmou diversas vezes que gostaria de conciliar carreiras profissionais nos dois esportes, como fez nos tempos de estudante.

– O que quero mesmo é jogar os dois. Só preciso descobrir como poderia fazer isso – brincou Murray em entrevista recente.

Atletas com talento em múltiplos esportes não são exatamente uma novidade nos Estados Unidos. Astros como os multicampeões do Super Bowl, Tom Brady e Troy Aikman, também chegaram a serem escolhidos no Draft da MLB. Outro destaque da NFL, o wide receiver Terrell Owens se aventurou no basquete jogando uma Liga de Verão pelo Scramento Kings. Não faltam exemplos de jogadores com carreiras no futebol americano e no atletismo.

Apesar dos muitos casos, são raros os atletas que conseguem alcançar o ápice profissional conciliando carreiras no esporte. Os exemplos de sucesso mais recentes em que Kyler Murray pode se inspirar são das décadas de 1980 e 1990.

Com oito anos de carreira na MLB e quatro na NFL, o lendário Bo Jackson se tornou, em 1990, o único jogador até hoje a ter alcançado o Jogo das Estrelas nas duas ligas. Destaque como outfielder do Kansas City Royals, Jackson levou até o prêmio de MVP do All-Star de 1989 da MLB. Simultaneamente, Bo atuava como running back do Los Angeles Raiders na NFL (atual Oakland Raiders) e foi eleito para o Pro Bowl em sua última temporada na liga.

Outro caso de sucesso foi Deion Sanders. Bicampeão do Super Bowl com San Francisco 49ers (1995) e Dallas Cowboys (1996), o cornerback Hall da Fama também conciliou os 14 anos de carreira na NFL com passagem sólida pela MLB, se tornando único jogador a disputar finais nas duas ligas. Com nove temporadas no beisebol, Sanders esteve na World Series de 1992, defendendo o Atlanta Braves. Outro feito exclusivo de Dion foi ter anotado um touchdown na NFL e um home run na MLB na mesma semana, em 1989.

Moda, CR7 e NBA
Naturalmente, futebol americano e beisebol não são as únicas paixões de Kyler Murray. Em suas redes sociais, o jovem de 21 anos se mostra fanático por esportes em geral. Acompanha de perto a NBA e também curte o futebol da bola nos pés: é fã declarado do português Cristiano Ronaldo.

Na bola laranja, o astro Stephen Curry é um dos favoritos de Murray, que frequentemente aparece com camisa do Golden State Warriors ou algum outro artigo ligado ao armador. LeBron James também está entre os ídolos do QB.

Fora do esporte, o mundo “fashion” atrai o interesse de Kyler Murray. Desde os tempos de criança, curte de cuidar do vestuário e acompanha as tendências da moda.

– Eu sempre gostei de marcar presença na escola. Sempre tive uma paixão por roupas, calçados, esse tipo de coisa – admitiu Murray em entrevista ao jornal The Oklahoma.

Esta entrada foi publicada em Jogador, NFL e marcada com a tag , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *