Escândalos no futebol americano estão ligados às pancadas na cabeça, diz psiquiatra

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Escândalos no futebol americano estão ligados às pancadas na cabeça, diz psiquiatra

Todo ano a história se repete. Notícias sobre escândalos envolvendo jogadores de futebol americano da NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos, explodem na imprensa, provocando multas, exclusões, prisões.

Nesta temporada, o caso mais polêmico foi o do running back Ray Rice, afastado do seu time, o Baltimore Ravens e do campeonato depois de um vídeo seu agredindo a esposa ter sido divulgado.

Outro entrevero conhecido é o de O. J. Simpson, running back do Buffalo Bills e do San Francisco 49ers entre as décadas de 1960 e 1970, acusado do assassinato de sua esposa e de um amigo dela em 1994. Simpson protagonizou uma perseguição policial transmitida ao vivo pela TV norte-americana no decorrer da história, mas acabou absolvido.

Em 2007, Michael Vick, então quarterback do Philadelphia Eagles, foi suspenso por participar de rinhas de brigas de cachorro. Teriam sido encontrados em sua casa 53 pit bulls com sinais de lesão, além de outros 12 animais mortos.

Nada disso é por acaso, afirma o psiquiatra Franklin Ribeiro, especialista em lesões por concussão, causadas por pancadas que chacoalham o cérebro e podem provocar sérios danos mentais, entre eles a Encefalopatia Traumática Crônica – ETC.

O médico explica: “A concussão tem entre seus sintomas uma aspecto numa fase avançada que é a agressão ou irritabilidade acentuada. O indivíduo fica com pavio curto, explosivo, explode facilmente, fica extremamente irritável e isso se deve a uma perda do controle inibitório.”

“Na região frontal do cérebro, temos uma área que nos coloca além, um pouco mais evoluídos que os animais. E esse lobo frontal inibe nossos comportamentos mais animais, impulsivos e emocionais. Quando o atleta bate muito a cabeça, essa região de controle fica descontrolada, e o lado animal dele vem à tona. Dependendo de quanto tem de proteína TAU nesses lobos frontais, isso implica em distúrbios de comportamento mais graves. O que vemos nesses atletas é suicídio, dependência de álcool e droga, comportamentos violentos, assassinatos, pessoa que mata a esposa, que se suicida na frente do técnico. Isso não é atribuído ao aspecto social, mas sim a uma condição biológica do traumatismo numa região específica que poderia controlar os impulsos mais primitivos, mais animais.”

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Junior Seau se suicidou aos 43 anos

Nos últimos três anos, dois ex-jogadores da NFL, Junior Seau e Dave Duerson, cometeram suicídio e posteriormente foram diagnosticados com ETC.

Em julho de 2014, a NFL foi obrigada pela justiça federal dos Estados Unidos a pagar 675 milhões de dólares como compensação a ex-atletas da liga que sofrem com concussões. Segundo estudo encomendado pelos próprios jogadores, 30% dos competidores do campeonato profissional de futebol americano acabarão adquirindo algum tipo de doença mental, vítimas dos duros choques desencadeados durante partidas.

Para o Dr.Franklin Ribeiro, a NFL ainda faz muito pouco para prevenir este problema. “Desde janeiro deste ano, se aplica nos EUA um exame que mostra a atuação da proteína TAU, isso custa algum dinheiro, mas é 0,1% do que a liga americana de futebol americano – NFL – arrecada em seu custo global. E eles não têm interesse nenhum em fazer esses exames em todos os atletas.”

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