Violência no Futebol Americano – Riscos a atletas abalam início da temporada

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A temporada profissional de futebol americano começou na quinta-feira passada em meio a uma polêmica antiga, mas que ganhou força nos últimos dias: a dos riscos do esporte à saúde dos atletas.

Uma semana depois do anúncio de que a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL, na sigla em inglês) chegou a um acordo de US$ 765 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) com mais de 4,5 mil ex-jogadores portadores de graves problemas neurológicos, muitos americanos questionam a cultura de violência do esporte e o impacto nas novas gerações.

“À medida que se sabe mais sobre os grandes riscos de repetidas concussões, o futuro do futebol (americano), desde as ligas iniciais até as profissionais, é posto em xeque”, disse o jornal Chicago Tribune em editorial nesta semana.

Os jogadores envolvido no processo contra a NFL dizem que seus problemas – entre eles esclerose lateral amiotrófica (ELA, conhecida nos EUA como a Doença de Lou Gehrig), mal de Alzheimer e outros tipos de demência – são resultado de concussões sofridas em campo.

Dizem ainda que a NFL escondeu informações sobre os perigos das pancadas na cabeça tão comuns nas partidas.

A entidade afirma que nunca ignorou ou escondeu os riscos de concussões.

“A parte mais lamentável do acordo é que a liga não terá de entregar documentos revelando o que sabia sobre os riscos do jogo e maneiras de reduzi-los”, publicou o Chicago Tribune.

Taxa de mortalidade maior

Diversas pesquisas vêm alertando há vários anos que os repetidos golpes na cabeça, comuns em treinamentos e jogos, podem resultar em danos permanentes. Entre os riscos estão perda de memória, depressão, suicídio e doenças degenerativas.

O problema chegou a ser alvo de audiência pública no Congresso americano, em 2009.

Um estudo divulgado no ano passado por cientistas ligados ao Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência do Departamento de Saúde, analisou dados de 3.439 ex-jogadores que atuaram por cinco ou mais temporadas na NFL.

A conclusão, publicada na revista científica Neurology, foi de que nesse grupo, a taxa de mortalidade por Alzheimer ou ELA é quatro vezes maior do que a média da população.

“Apesar dos resultados não estabelecerem uma relação de causa e efeito entre concussões relacionadas ao futebol (americano) e morte por doenças neurodegenerativas, eles fornecem apoio adicional às descobertas de que jogadores profissionais de futebol têm risco maior de morte por causas neurodegenerativas”, diz um dos autores, Everett Lehman.

O Centro de Estudos sobre Encefalopatia Traumática, na Universidade de Boston, tem um banco com mais de cem cérebros, muitos doados por famílias de jogadores.

Autópsias revelam um alto íncide de Encefalopatia Traumática Crônica (CTE, na sigla em inglês), tipo de lesão no cérebro associada a concussões.
Problema maior?

À medida que mais estudos ligam o esporte a doenças, algumas regras foram modificadas na tentativa de aumentar a segurança. Mas especialistas dizem que ainda há muito a fazer.

Um dos temores é o de que o problema seja maior do que o indicado nos estudos, já que os jogadores que apresentam danos agora foram profissionais entre as décadas de 60 e 80, quando os atletas não eram tão grandes nem tão rápidos como atualmente.

O destaque recente dado ao tema tem aumentado também a preocupação com crianças e jovens jogadores de ligas amadoras e estudantis, que se espelham na NFL.

Pesquisas indicam que a maioria dos jogadores de ligas estudantis não reportam danos sofridos em campo.

“É preciso muito mais precaução e pesquisas no esporte, não apenas no nível profissional, mas passando pela poderosa máquina da National Collegiate Athletic Association, que controla o futebol nas universidades, e por ligas locais onde 3 milhões de crianças menores de 14 anos imitam entusiasmadamente os profissionais”, escreveu o jornal The New York Times em editorial após o anúncio do acordo com a NFL.

Críticos do acordo afirmam que a soma é pequena quando comparada aos rendimentos da NFL, de cerca de US$ 10 bilhões por ano.

O dinheiro será desembolsado ao longo de 20 anos e irá beneficiar todos os 18 mil jogadores aposentados da NFL, quer tenham participado da ação ou não. Parte será destinada a pesquisas e educação sobre o problema.

Mas a polêmica parece longe de terminar. Já vem sendo esperada com ansiedade a exibição de um documentário sobre o tema pela rede de televisão PBS, em 8 de outubro.

O programa promete revelar a “história oculta da NFL e dos danos cerebrais”.

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