Arbitragem no futebol americano – Lá como aqui no Brasil os juízes mergulham em polêmica

 

Quarta, quinta, sábado e domingo têm se tornado, no Brasil, dias oficiais para se reclamar da arbitragem. Torcedores, técnicos e jogadores do Campeonato Brasileiro voltam suas baterias para os juízes e reclamam de erros que vêm de todos os lados. Mal desconfiam que deveriam agradecer por não viverem nos Estados Unidos, jogando outro futebol, com bola oval, uniforme acolchoado e capacete. Na NFL, o apito está mergulhado em caos. Enquanto os árbitros não chegam a um novo acordo trabalhista, a liga optou por usar substitutos na temporada 2012/13. O acúmulo de equívocos em campo chegou ao auge na noite de segunda-feira, quando um erro dos juízes decidiu o jogo entre Seattle Seahawks e Green Bay Packers.

O lance polêmico em Seattle aconteceu no fim da partida. Com oito segundos no relógio, o quarterback Russell Wilson, dos Seahawks, lançou a bola para a endzone. Vários jogadores subiram para disputar a bola. MD Jennings, dos Packers, aparentemente conseguiu a interceptação que garantiria a vitória. Mas Golden Tate, que já tinha empurrado ilegalmente o defensor Sam Shields, também fez contato com a bola, e a arbitragem validou o touchdown. Mesmo após dez minutos revendo o lance em vídeo, os juízes mantiveram a marcação, que selou a virada dramática do Seattle e decidiu o jogo em 14 a 12. Veja o lance em vídeo.

A polêmica sobre os árbitros já vinha se arrastando no início da temporada. Assim como aconteceu com os jogadores da NBA na última temporada, não houve renovação do acordo trabalhista dos juizes.

Enquanto a negociação se arrasta, a liga tomou a decisão de usar substitutos que atuavam em jogos universitários de baixo nível. A grosso modo, é como se o futebol brasileiro resolvesse usar na série A árbitros da quarta divisão. Mais visados, os donos do apito passaram a ser criticados por falhas nas primeiras rodadas. Mas nada comparado à polêmica de segunda-feira.

Não me façam uma pergunta sequer sobre os árbitros. Nunca vi nada parecido em toda a minha carreira – esbravejou o técnico dos Packers, Mike McCarthy, após o duelo.

Golden Tate tentou defender sua posição, alegando que, em caso de posse conjunta, o lance vai para o atacante, e o touchdown seria válido. Pouco depois, ele mesmo admitiu que o adversário pode ter segurado a bola antes.

– Nós dois tínhamos a posse. Eu acho que toquei primeiro. Bem, talvez tenha sido ele. Mas eu tomei dele – tentou explicar.

A revolta entre os jogadores dos Packers era grande. Além do empurrão de Tate em Shields, que já seria suficiente para invalidar a jogada e dar a vitória ao Green Bay, ninguém comprou a versão de posse conjunta com MD Jennings.

– Eu vi o vídeo no vestiário. Se você colocar Golden Tate num detector de mentiras e perguntar se ele pegou a bola ou MD pegou a bola… ele vai dizer que foi MD. Foi muito claro, pelo menos para os meus olhos – afirmou o wide receiver Greg Jennings, dos Packers.

As declarações tomaram o noticiário americano na manhã desta terça, e muitos especialistas voltaram a criticar a decisão da liga de escalar os árbitros substitutos. Por enquanto, a NFL mantém tudo como está.

Ninguém na geladeira, ninguém punido. A novela aguarda os próximos capítulos – ou melhor, o próximo fim de semana, quando a bola oval se movimentará outra vez.

Esta entrada foi publicada em Campeonatos, NFL e marcada com a tag , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *